Tempos atrás, ofereci uma matéria sobre a cena do eletrofunk para uma revista maneira cuja qual eu já havia colaborado. O meu primeiro contato com gênero, uma mistura de funk carioca com música eletrônica a la Jovem Pan (o famoso tuntstunts que serve de trilha sonora para noites embaladas por energético e uisque barato, um presente de grego para o fígado), foi nas ruas da minha cidade, quando chevettes e pickups com monstruosos sistemas de som circulavam pelo trânsito espalhando o pancadão automotivo aos quatro ventos. Apesar do meu interesse em fazer a matéria e divulgar a cena, encontrei dificuldade quando tentei entrar em contato com a produtora responsável pelos principais representantes do gênero, a Made In Rio. O godfather da parada é o DJ curitibano Cleber Mix, o Jay-Z do eletrofunk, nosso David Gueta, o homem por trás das fábricas de hits como MC Mayara, a 9nha que ganhou notoriedade com o sucesso “Ai Como eu tô bandida” (e que fez com que muitos puritanos questionassem o fato de uma garota tão jovem - ela tem 18 anos, mas aparenta menos - pronunciar versos como “Mulher de um homem só / É mulher sofrida / Mulher que tem dois homens / É evoluída / Mulher que tem três homens / É uma atrevida” [na verdade a letra incomoda os mais retrógrados porque inverte os papéis tão comuns proferidos nas canções eventualmente machistas do funk carioca]) e Edy Lemond, o Snoop Dogg do Up In Smoke eletrofunkeiro, entre outros artistas. O DJ Cleber me prometeu a entrevista no único contato via email que tive com ele e infelizmente nunca mais respondeu. Liguei pra Made in Rio (gastei uma nota de telefone) e os caras me deixaram esperando por horas. Não tinha jeito de conseguir umas aspas pra matéria e acabei abandonando o projeto inicial pra não entregar um material raso e me queimar com a revista que me deu essa oportunidade.
Mas voltemos ao assunto principal. Você pode até não gostar, mas não pode ignorar a proporção que o eletrofunk ganhou nas baladas da juventude brasileira, embalando muita pegação e bufada de motor em eventos de som automotivo. Digite no Google Cleber Mix ou eletrofunk e se surpreenda com a quantidade absurda de remixes e faixas disponibilzadas pra download, no melhor estilo DIY. No Youtube é febre, com vídeos passando das milhares de visualizações e que abusam de recursos questionáveis como uso sem autorização de imagens de clipes gringos intercalados com cenas em backgrounds únicos como motéis baratos, piscinas e elementos cenográficos como paredes imensas de caixas de som automotivo. O eletrofunk é mais underground que sua bandinha indie e pretensiosa de last.fm, que abre as pernas para gravadora grande feito uma mulher troféu em convenção de empresários ricos. Apesar do apelo popular, não é um som muito comum nas grandes rádios. Mas é na internet, na festa de interior e nos eventos de som automotivo Brasil a fora que ganha seu público. O que falta em qualidade musical sobra em sinceridade. O eletrofunk tomou o país; se bobear vai ganhar o mundo e você, que vive envolto no seu mundinho de reviews da Pitchfork, ficou sabendo só agora.
Segue uma seleção de artistas essenciais para os que desejam conhecer um pouco mais do universo desse tão recente gênero musical.
Edy Lemond - Pensando em Você
Mc Mayara - Ai como eu tô bandida
DZ MC’s - Sou Top
MC Siri - Sapequinha
Dj Cleber Mix - Megafestmix
Os Caçadores - Clack Boom
Se interessou? Seguem alguns links interessantes com mais artistas, clipes e sons.
http://www.youtube.com/user/madeinrioproducoes
http://www.youtube.com/user/eletrofunkbrasil
De resto, só jogar eletrofunk no Google. A pesquisa vai te retornar mais resultados do que “Kim+Kardashian+Ass”.
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